4 razões para não confiar na inteligência artificial

Que a IA (ou AI, para os adeptos dos estrangeirismos) tem sido um dos assuntos mais comentados e polêmicos de 2023 não é novidade, certo? Bom, eu não sei vocês, mas eu a vejo como uma ferramenta que precisa de inúmeros ajustes. Há muita coisa que ainda precisa ser feita para que haja uma confiabilidade de quase 100% nas plataformas que utilizam o recurso. Essa é a minha opinião sobre isso no momento, e parte dessa minha crença se dá pelos quatro motivos que vou citar agora. 😉


1. A IA não deixa de ser uma ferramenta criada por mãos humanas

Por ser uma ferramenta totalmente dependente da intervenção humana, a IA pode, sim, cometer falhas graves. Muitas vezes, inclusive, podendo gerar desconforto e exprimir preconceitos. Veja, por exemplo, este post publicado no LinkedIn por Charles Omoregie, líder de produtos na Google:

"Nunca me sonharam.

Pedi ao Midjourney, a Inteligência Artificial que gera imagens com base em palavras, que criasse:

'O retrato de uma pessoa brasileira que atua como Líder de Produtos, trabalha em uma big tech global, foi nominada Forbes Under 30 e uma das maiores referências do Marketing'.  exatamente a minha descrição.

O resultado, para surpresa de ninguém, foi a imagem à esquerda [abaixo].

Em nenhuma das tentativas o retrato de uma pessoa negra e/ou mulher foi gerado.

Tenho trabalhado com #AI, #MachineLearning e #Automação desde 2018, e sou fascinado pelo tema que inclusive faz parte das minhas aulas como professor, mas um ponto importante sobre essas tecnologias é que muitas vezes elas carregam viesses que infelizmente fazem parte da nossa sociedade, e por isso requerem cuidado ao serem utilizadas.

Essa pode não ser uma prova definitiva, mas com certeza é um forte indício de que as pessoas por trás dessas inovações tecnológicas nunca sonharam com alguém diferente delas em posições como a minha, o que significa que ainda temos um longo caminho a percorrer."




Esse relato ilustra muito bem o que eu quis dizer. Por ser algo criado por humanos imersos em uma cultura que precisa evoluir muito, a inteligência artificial ainda vai cometer esses deslizes por algum tempo.

Nota: o conteúdo deste post reflete apenas as minhas opiniões pessoais, não tendo ligação com as opiniões do autor da publicação no LinkedIn, Charles Omoregie.

2. A IA já errou o português comigo

Por ser uma ferramenta vista como uma representação absurda da inteligência, a gente sempre espera que ela seja impecável. No entanto, não é bem assim que as coisas funcionam. A IA já cometeu um erro gramatical bem feinho comigo. Obviamente, como uma revisora de textos que precisa garantir seu lugar ao sol, fiz questão de pontuar a falha (não sou esnobe, mas também não sou boba, não confiem na IA para revisar seus textos). 💁



3. A IA não conhece músicas do Cine

Isso sim é uma lástima! Resolvi brincar com a inteligência artificial. A brincadeira proposta foi a seguinte: eu escreveria o trecho de uma música para que a IA me dissesse qual era a banda responsável por aquela composição. Pois bem, segui com a brincadeira, a primeira música escolhida foi "As Cores", da extinta banda Cine (banda pop que fez sucesso entre adolescentes no início dos anos 2000). Na primeira tentativa, a IA disse que se tratava da música "Primeiros Erros", da banda Capital Inicial. Assim, disse a ela que sua resposta estava errada e informei os nomes corretos da música e da banda. Eis que a digníssima tenta me ludibriar e solta a seguinte informação (acrescentando trechos na música que não existem):


Nota-se que claramente a inteligência artificial não fazia ideia do que estava fazendo. 😂 


4. A IA elaborou uma redação horrível

Sim, é isso mesmo! Perguntei à IA se ela seria capaz de desenvolver uma redação que atendesse a TODAS as exigências feitas pelo Exame Nacional do Ensino Médio, ou seja, ela precisaria criar um texto excelente em todas as competências. Pronto! A fofa fez uma redação repetindo o mesmo conectivo por mais de duas vezes (quatro, para ser mais exata), usou um conectivo conclusivo no início do segundo parágrafo de desenvolvimento, não levou para o texto um repertório legítimo e fez uma proposta de intervenção bem meia-boca (e sem detalhamento). A lição que fica é: não tentem passar a perna nos professores de vocês usando a inteligência artificial para elaborar uma redação, pois a gente vai saber, e vocês não chegarão nem aos 800 pontos. Vai um recado da própria IA para vocês! 😜



Bônus: pedi para a ferramenta BlueWillow, no Discord, criar uma imagem de Jesus com um cachorrinho no colo. A bonita simplesmente lançou Jesus com pernas de cachorro (e um cachorro pavoroso). 😆



Bom, moçada, deixo claro aqui que não sou contra a evolução da tecnologia (em partes), mas, particularmente, acredito muito que ela ainda não seja capaz de superar as habilidades humanas em alguns aspectos, como os evidenciados neste post. Tudo, se usado com sabedoria e cuidado, pode ser útil para nós. A tecnologia veio para melhorar as nossas vidas, não para piorar! É ou não é? 😂