Abrindo o leque e botando a depressão na roda

"Nossa, só quer atenção...", "Que pessoa melancólica!", "Faz de tudo para aparecer!"

E aí? Quem nunca soltou uma dessas ao ver uma publicação em qualquer uma dessas redes sociais às quais a gente tem acesso que atire a primeira pedra. E isso porque é muito mais cômodo para nós julgar o que vemos superficialmente do que buscar saber melhor o que está acontecendo com o autor de determinada publicação.

Segundo o site Prevenção ao Suicídio, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que, anualmente, 800 mil pessoas morram em todo mundo vítimas de suas próprias mãos. É um número alarmante. O que levaria tanta gente a buscar como última opção o fim de sua própria vida? Cada uma dessas pessoas teve o seu motivo para tal, mas onde entra a nossa parte nisso?

Me surpreendeu perceber, ao logar no Blogger, que mesmo inativo desde novembro de 2017 recebemos 613 visitas no último mês. Eu me senti na obrigação de explicar o motivo do sumiço e já falar sobre ele abertamente. Sem medo.

Desde muito tempo eu vinha tentando mascarar algo que, na pequenez do meu entendimento, não passava de uma fase ruim (uma fase que se arrastava a anos). A gente tem muito essa mania de minimizar coisas que, na maioria das vezes, demandam um pouco mais de atenção. E, então, só em Julho de 2017 eu aceitei que precisava de ajuda e busquei auxílio psicológico e médico, porém, recusei o tratamento e tentei seguir com a vida assim mesmo, "empurrando com a barriga", como dizem. Isso, obviamente, não deu certo.

Chegando ao fim do ano eu entrei em um processo delicado de onde eu não conseguia sair, e em Janeiro, por decorrência de alguns outros acontecimentos, uma crise depressiva se instalou, e eu realmente não conseguia pensar em mais nada além de cessar a dor. É importante salientar que o depressivo não busca findar sua própria vida, ele busca interromper a dor.

Pessoas com depressão querem atenção, sim, elas querem alguém que as compreenda, que arranque delas o vazio, mas elas sabem que essa pessoa não existe. Ela não existe. E medicamento algum fará desaparecer, como num passe de mágica, a angústia que a corrói por dentro.

Não é falta de fé, pois mesmo trêmula, extremamente magra e fraca, a igreja era o único lugar ao qual eu conseguia ir, e era lá onde eu pedia a Deus que, por favor, me levasse ou me livrasse do peso que eu carregava no coração naquele momento, das lembranças que me atormentavam, da tristeza que me machucava, da infelicidade que me dominava, do medo que me sufocava. Pedi, sim, "Senhor, por favor, me deixe dormir e não acordar. Eu não quero mais ficar". Não, não era falta de fé.

Amigos? Muitos poucos levaram a sério, mas foram esses poucos que fizeram a diferença, os quais faço questão de manter. Além deles, eu tive minha família. Os meus pais, mesmo cansados e talvez tão perdidos quanto eu, nunca me deixaram e me convenceram a voltar com o tratamento.

Foi um processo demorado. Perda de peso, crises de pânico, pressão alta, confusão mental, náuseas, vômitos. Aquela angústia parecia se intensificar. Sertralina, alprazolam, citalopram, bupropiona. O desespero tomava conta. A minha oração era aquela, sempre aquela. "Mãe, não quero que ninguém fique triste, mas eu não sei mais de mim", "Mãe, por favor, fala com Deus que eu não aguento mais", "Mãe, será que Deus me escuta?". E diante disso tudo ainda tem o fato de você se sentir um fardo, porque nessa altura você já abandonou faculdade, emprego e o que mais dependesse de sua total dedicação. 

Mas, acreditem. Mesmo magra, depressiva e anêmica existiam aqueles que diziam ser frescura, bobagem, "Falta de couro!". Nesses períodos temos apoio de bem poucos, e queremos a ajuda de todo mundo. Talvez daí se entenda o desespero de quem prefere mesmo ir sem pensar duas vezes. Nessa fase você percebe quem faz mesmo questão de você e, principalmente, do seu bem. Algumas pessoas gostam de você, outras, precisam.

É dolorido, é um "lugar" de onde você pensa que não vai sair mais. Você olha para o futuro e enxerga um buraco negro. Tudo assusta demais. Tudo é ruim demais. Seu quarto escuro é o lugar menos pior para você estar. Um banho quente não te atrai mais. Cuidados com a pele, com os cabelos, com a unha? Que nada. Foram madrugadas andando pela rua chorando, escorada no braço da minha mãe, esperando o calmante me apagar. Não foi nada fácil. Lá eu não imaginava que chegaria aqui.

Eu não esperava um dia escrever com tanta naturalidade sobre o assunto, na verdade eu nem esperava estar aqui. Jamais, naquela época, imaginaria que enquanto escrevia me irritaria por ver que o esmalte da pontinha da minha unha descascou. Nem estaria olhando de rabo de olho para as pontas duplas que insistem em me incomodar, mesmo depois de tantos cuidados. Estou pensando em que creme usar, coisa que antes para mim era nada. Nem me tomava o pensamento. Estou aqui pensando em que filme assistir com o meu namorado (o meu anjo namorado) no Domingo. Eu estou em uma outra vida.

Remédio? Só um agora, graças ao meu bom Deus. Entraram e saíram pessoas da minha vida, mas nunca expulsei ninguém. Eu contei com a sorte de ter aqueles que me carregaram no coração enquanto eu estive mal. Meus pais me geraram novamente. Eu realmente nasci de novo. E, para fechar com chave de ouro, talvez por suportar tudo aquilo, Deus me presenteou com um namorado indescritivelmente incrível, e minhas orações para que estejamos sempre blindados e livres de todo o mal jamais cessarão, pois hoje eu tenho planos, objetivos, sonhos, metas.

Nunca nenhum mal vai durar para sempre. Você não precisa se sentir sozinho. Eu falo com toda a certeza do mundo que isso vai passar. Nós relutamos em nos levantar porque na verdade nunca estivemos preparados para a queda, não aceitamos. Mas elas, as quedas, infelizmente, acontecem. Você vai superar isso. Você vai falar disso sorrindo, um dia. Vai fazer piada do seu remédio. Você vai, como eu, oferecer ajuda.

Hoje, para a glória do meu Senhor, me considero livre da depressão, apenas "em manutenção", mas busco nunca mais, NUNCA MAIS, sentir o que é uma crise depressiva novamente. 

Eu tive ajuda de amigos, pais e alguns familiares, mas ofereço hoje a minha. Você pode deixa uma mensagem aqui quando se sentir só e quiser desabafar, ou pode procurar o Centro de Valorização da Vida (CVV), que está sempre apto a atender pessoas nestas condições. E você que não sabe o que é isso, quando notar algo em alguém, não julgue, tente ajudar. Você pode colaborar! Todos nós podemos.

A depressão é sim curável, você não vai viver com ela para sempre. Tenha fé,  muita fé!

E vamo que vamo que o blog voltou! Logo explico a alteração para vocês! Sucesso!