MALAS PRONTAS: Uma brasileira vivendo em Massachusetts
Um dos assuntos que mais tem visualizações aqui no blog é a vida no exterior, e sabendo que vocês gostam bastante o Chama Elas trouxe essa semana uma entrevista com a Hanna França do Casal EUAI para nos contar como foi sair do Brasil para morar em Massachusetts e também dividir um pouquinho dessa experiência com a gente. Confira abaixo:
Chama Elas: Quanto tempo você levou para se organizar? A contar da data em que você decidiu se mudar de país até a data de embarque.
Hanna: Demorei 7 meses pra me organizar em tudo, vender meu móveis, meu carro, documentos para deixar no Brasil, visto e viagem! Mas do visto até a data de embarque foram só 2 meses.
Chama Elas:Você teve alguma dificuldade com o visto?
Hanna: O meu visto foi obra de Deus, tudo ocorreu de forma perfeita. Fizeram apenas uma única pergunta "O que você faz?", no meu caso era estudante. Mas existem perguntas que são feitas frequentemente, meu pai foi comigo tirar junto, então eles nem quiseram saber muito.
Chama Elas: Quais dicas você daria para quem está pensando em se mudar para o exterior ou começando a se organizar agora?
Hanna: Não perca o foco nunca, porque as pessoas sempre vão tentar te desanimar! Não vivo sem minha agenda, então escrevi em todas as paginas "Não perca o foco Hanna" rs Pesquise bastante sobre o lugar que vai ficar, e é sempre importante ter pelo menos uma única pessoa conhecida, porque parece que você pega uma nave pra outro planeta. Se organize com os horários dos voos, compre a moeda local de forma segura, e treine algumas frases do idioma, pra poder se virar de início.
Chama Elas: A adaptação foi muito difícil? O que mais causou estranhamento?
Hanna: A adaptação não está sendo tão difícil, só a saudade que machuca muito. Eu custei a ter apetite normal aqui, demorou um pouco mais de um mês pra eu ter fome de verdade e comer regularmente.
Chama Elas: E a respeito de emprego? Foi difícil? Conte um pouco dessa experiência e sobre o que tem feito.
Hanna: Demorei 2 semanas pra conseguir um emprego, porque cheguei no inverno e as coisas são mais difíceis nessa estação, porém existem vários grupos regionais que tratam de empregos, vendas e doações, participar deles é essencial. Se você estiver vindo para os Estados Unidos, MUITO CUIDADO com os brasileiros, sim, com a gente mesmo, trabalhei 3 dias pra uma mulher que demorou mil anos pra pagar, e infelizmente temos essa fama, porque somos nós que passamos a perna em nós mesmos. Hoje, depois de 2 meses no restaurante que trabalho virei Manager, que é tipo uma gerente, é um restaurante americano que vende comida mexicana.
Chama Elas: Quais os cuidados você tem hoje que não eram tão relevantes no Brasil?
Hanna: Hoje acho extremamente necessário guardar dinheiro, porque se faltar emprego no inverno teremos um pé de meia, andar devagar no trânsito, porque policial aqui surge do asfalto, tratar as pessoas super bem, eu já fazia isso no Brasil, porém parece que ai as pessoas acordam e dormem de mal humor, aqui todo mundo pede "desculpas", "licença" e falam "obrigado" por tudo. O mais importante de tudo é sempre dormir de bem com todas as pessoas importantes, porque estar longe dói muito, e ter sentimentos bons no coração ameniza muito.
Chama Elas: Quais os passeios que faz por ai? Você costuma visitar museus e parques?
Hanna: Frequento muitos bares e baladas, shopping então nem fale. Boliches, fliperamas, parques abertos e praias! Fui em um lugar que é um mundo de cama elástica, muuuuito legal, para adultos e crianças. Ainda não tive oportunidade de ir em museus, mas já estou com datas marcadas para ir em um parque de diversões, parque aquático e NY.
Chama Elas: Foi difícil encontrar uma casa? Você encontrou um com facilidade? Tem uma diferença grande em relação ao Brasil?
Hanna: Alugar casa foi a coisa mais difícil que achei aqui, ainda mais comparado ao Brasil, que você apresenta fiadores e renda e consegue alugar um imóvel. Demoramos 2 meses pra conseguir um lugar confortável, que aceite animais e com preço bom, imóvel aqui é muito caro, totalmente o oposto de todas as outras coisas que existem nesse lugar. Alugamos com uma americana, o apartamento é bem legal e tem um quarto, ela postou no grupo do Facebook e fomos negociar com ela.
Chama Elas: Quanto aos costumes dos americanos, estranhou algo?
Hanna: Eu não estranhei nenhum costume daqui, me senti no paraíso. Tudo é barato demais e muito bom, as gorjetas são sempre gordas, o trânsito sempre organizado, as pessoas sempre educadas, ninguém liga pra sua roupa ou pra quem você é, todos são igual e tratados iguais em qualquer lugar. NOSSA, teve sim uma coisa que estranhei, já estava me esquecendo, não se usa chamar garçom aqui, se ele demorar a ir na mesa, só da uma olhada ou uma leve mexida na mão, mas não chame kkkkkkk
Chama Elas: O que você gostaria de compartilhar conosco que não foi perguntado anteriormente? Sinta-se livre.
Hanna: Estou vivendo a melhor experiência da minha vida, aqui não é como as pessoas falam, não tem deportação 24h por dia, você vive normalmente, sendo legal ou ilegal. Tudo aqui funciona, primeiro mundo é muito diferente, em tudo. Comprei um carro aqui que nem com 50 anos de trabalho no Brasil conseguiria comprar e meu plano de saúde é maravilhoso e gratuito. Morar fora vale muito a pena, a cabeça muda totalmente e a gente aprende a dar valor às coisas mais importantes da vida.
Hanna muitíssimo obrigada por dividir conosco suas experiências, esperamos vocês mais vezes por aqui e desejamos uma vida linda e bem feliz :)