A geração criada para não amar
Tempos modernos. Vivemos dias frios, onde algo parece todo o tempo estar errado, mas todos agem como se tudo estivesse normal. Às vezes falta um impulso para prosseguir, porque tudo o que nos apresentam parece vazio e instável demais. Corremos todo o tempo em busca de direções que nos levem a algum lugar bom, quente e agradável, onde as pessoas não exitem em ser empáticas, ao menos. A cada passo que damos, uma infeliz descoberta. Por vezes a vontade é de gritar, pedir licença, sair, sumir. Nada parece fazer sentido. Por que tão frios e egocêntricos? Por que tão desapegados? Qual a necessidade da exaltação do desamor? Loucos?
Pertencemos a uma geração cuja ordem é não se deixar envolver, é conquistar e largar, é ter um beijo ou algo mais em uma noite e deixar partir ao fim das poucas horas, e no dia seguinte um "olá' como amigos, um "oi" simples e sem delongas a quem você conheceu na intimidade. Isso não faz sentido, não cabe na mente.
A geração Z foi criada de uma forma assustadoramente robótica, meninos e meninas iguais. Será esse o início do fim da humanidade? Estamos despercebidamente cavando a nossa própria cova sorrindo. Isso não lhe parece psicopático?
Onde erraram os pais? Aliás, onde erraram os pais dos pais? Ou os pais, dos pais, dos pais erraram? Talvez o presente seja o acúmulo de erros cometidos a tempos e que só hoje se refletiram. Gotas que encheram um oceano. Um imenso, pobre e mal cheiroso oceano. Estamos pagando um alto preço.
A todo tempo nos deparamos com textos, frases, falas, feitos. Frios. "Viva a lei do desapego!", eles dizem. Viva o quê? Qual o motivo para comemorar? Pobreza de espírito é algo bom desde quando? Ainda espero o momento em que alguém dirá que tudo não passava de um grande teste.
A geração Z prefere se entregar a relações vazias e sem propósito. Gente de uma noite só. O fútil as atrai mais que o valorizável. Coisa rara hoje em dia é quem acredita no amor. Pudera, né? Estamos rodeados de sacos vazios. A culpa não é dos desacreditados, é de quem os faz desacreditar. Como pode alguém preferir uma noitada com alguém qualquer a poder dividir longas conversas debaixo do céu estrelado com alguém importante? Mãos dadas, andar abraçadinhos no inverno, traçar planos, contar sonhos, trocar carinhos, compartilhar sentimento, sentir a reciprocidade. Será que o bem físico é mesmo maior que o bem da alma?
As estatísticas mostram que em poucos anos o número de depressivos será muito maior que o atual. Como explicar? Talvez: DESAMOR. O desamor provoca medo, sofrimento, receio, aflição. Como amar numa geração que não ama? Como ousar a sentir algo por alguém em uma geração que está acompanhada de um alguém diferente a cada dia? "Relações" curtas. Gostar de alguém é um tormento. É necessário agir como se estivesse a pisar em ovos. Cautela máxima. Como falar sobre sentimentos a alguém que pertence a um grupo que não os valoriza? Imaginar que podem estar sempre tirando onda com a sua cara é paralisante. "Arriscar" parece a assinatura do contrato de rejeição. Você sabe que ganhará um sublime "Não". Viver com medo da solidão e ao mesmo tempo viver com medo de se interessar por alguém. Vocês entendem o estrago que isso causa? É uma pane.
Brincar de conquistar. Conquistar e rejeitar. Por quê isso? Para quê isso? Não parece sádico quebrar o coração de alguém? Surreal.
E os poucos que sobram, eu e mais alguns, vivem reféns dessa moda porca. Sentindo demais. Sentindo tanto, sentindo até mesmo pelos que não sentem. E ainda somos nós o que eles dizem ser loucos. Loucos por termos a consciência de que o coração vai cessar os batimentos um dia e que esse dia não tem data prevista para chegar. Loucos por almejar mais, sonhar mais, querer mais. Loucos por gostar, por sentir, por querer bem. Loucos pelo fato simples de AMAR.
Para onde iremos nós?
