Bastidores: João Cappelli, a voz de Draco Malfoy

Meniiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinas e meniiiiiiiiiiiiinos, principalmente os fãs de filmes! Olha só que coisa bacana eu trouxe para vocês: uma entrevista única com João Cappelli, a voz de Draco Malfoy, o bruxinho loiro, implicante e rival de Harry Potter durante toda a saga. 



João tem 27 anos, vive no Rio e já há 21 anos trabalha com dublagem. Bacana demais, né?

Acompanhem a entrevista! Vejam um pouquinho como funcionam as coisas nos bastidores. A entrevista está show de bola! 

1. Quando você percebeu que tinha dom para dublagem?
"Eu comecei a dublar com 6 anos de idade. Meu avô começou a dirigir em um estúdio, e então eu comecei a acompanhar, ir vendo. Fui fazendo personagens pequenos, crianças, enfim, participações pequenas. E aí foi seguindo. Três anos depois eu fiz o meu primeiro protagonista para o cinema. O filme era Duas Vidas, com Bruce Willis. E aí eu não parei. Não houve um momento em que achei que tivesse dom, nada disso. Simplesmente fui fazendo, fui melhorando e crescendo. Foi assim que eu comecei."

2. Foi extremamente difícil dublar o seu primeiro personagem? Aliás, qual foi ele?
"Bom, meu primeiro personagem não era nada de mais, era uma participaçãozinha em um programa do Cartoon Network chamado Big Bag. Era um programa que tinha um urso gigante, tipo o Barney, só que era um urso. Eu fiz um garoto e não me lembro de ter dificuldade, mal lia direito, não tinha a menor noção de nada. Foi uma coisa mega robótica, extremamente mal feita, mas, enfim, foi isso. E aí no primeiro personagem grande, no primeiro protagonista, que foi esse garoto – citado anteriormente – em Duas Vidas, eu já tinha três anos de dublagem, foi um pouco mais tranquilo, mas, ainda assim, por ter sido o primeiro personagem – grande – eu apanhei um pouquinho. No entanto foi fácil, no final das contas deu tudo certo."

3. Quais personagens você mais curtiu dublar? 
"Olha, o que eu mais gostei de dublar...
É difícil, porque é claro que eu adoro fazer o Tom Felton, adorei fazer o Draco nos filmes, nisto aí não tenho dúvidas, mas eu, particularmente, adoro fazer participaçõezinhas em desenhos. Ainda mais esses desenhos loucos que tem por aí. Eu acho muito maneiro, você pode fazer um personagem pequeno, mas pode também surtar ali na hora de dublar e fazer uma voz qualquer que encaixe ali e que fique muito engraçado. Isso dá muito mais liberdade, muito mais criatividade. Então eu adoro fazer personagens de desenho. Mas, claro, o Draco e o Minho, de Maze Runner, eu gostei muito."

4. Sem sombra de dúvidas Draco Malfoy foi o personagem que mais se destacou dentre os que você dublou. Qual foi sua reação ao receber o convite? Você já era fã da saga Harry Potter?
"Então, eu já conhecia Harry Potter, sim, mas eu não era fã FÃ. Eu conhecia, já tinha lido dois livros. Na verdade, só tinha até o terceiro. Eu fiz teste para o Harry, só que não 'rolou' de passar. Mas o diretor na hora me puxou para o Draco e... Ah! Foi muito legal, mas como eu não tinha uma ligação tão forte, ainda não era fã demais, achei legal, fiquei muito feliz, mas foi 'normal'. Depois, com o tempo, com as coisas crescendo, e eu lendo os outros livros, é que fui ter noção da dimensão que era o 'negócio'. E até foi bom, eu li todos os livros, assim eu também fui gostando mais de fazer."

5. E como você reage ao reconhecimento dos fãs? É legal sempre ou às vezes cansa? rs'
"Eu adoro receber mensagem dos fãs, acho muito maneiro. Ainda fico impressionado pelo fato de ter algum, então acho muito legal fazer um trabalho que as pessoas reconhecem e gostam. Eu até tenho dificuldade para entender esse nível de admiração por mim e pelo Draco. Mas eu adoro, sempre que eu recebo uma mensagem, eu respondo. Eu gosto de ter todo mundo seguindo no Instagram, no Facebook, essas coisas assim. Eu gosto de ficar perto, gosto de conversar. Alguns até viram amigos depois de um tempo que a gente começa a conversar. Eu gosto muito e, particularmente, não me canso." 

6. Vocês, dubladores, têm o acompanhamento regular de um fonoaudiólogo? Praticam exercícios para manter a voz saudável?
"Não, ninguém tem acompanhamento fonoaudiológico, não. Eu fiz quando era criança, mas porque eu falava errado, falava como o Cebolinha. Alguns outros fizeram também, mas não é regra, não. É porque, na verdade, esse 'negócio' de voz para dublar é lenda, é uma mentira, não existe isso de que a pessoa tenha ou não tenha voz para dublagem. Todo mundo tem uma voz diferente e, em um filme ou desenho, você precisa de todas as vozes disponíveis. O maior leque de vozes possível. Então todo mundo tem voz para dublar. E, bom, eu não fumo, eu bebo água sempre, evito beber água gelada, coisas mais básicas."

7. Fale um pouquinho sobre como é feito o processo de dublagem.
"Bom, alguém te liga do estúdio perguntando qual a sua disponibilidade de horário nos dias que precisarem de você. Você diz, e ela – a pessoa do estúdio – diz quanto tempo vai precisar, e aí você agenda. No dia, você entra no estúdio, tem uma televisão na sua frente, uma bancada com o texto, um fone para você 'botar' na orelha e escutar o áudio original (se for um filme americano, inglês, chinês, por aí) e um microfone para a gravação. O texto, já traduzido, obviamente, está dividido em trechos que a gente chama de loop. O diretor faz um levantamento, fala do seu personagem, quantos loops você tem e quais. Ele fala em qual trecho você deve abrir, você abre o texto no local pedido. Lá – no loop – tem o nome do seu personagem e a fala, e então você ensaia aquele trecho, marca no texto as pausas, faz algum ajuste de fala, para encaixar melhor na boca, se for o caso. Normalmente, na próxima você grava direto, mas se quiser ensaiar de novo, enfim, pode sem problemas, mas geralmente é uma vez só."


Curiosidades sobre o João:

*Ele fez o personagem Jorginho, em O Cravo e A Rosa.


*João é irmão de Jonas Cáffaro, baterista da banda Matanza, que também já foi dublador (ainda na infância) e deu voz ao personagem Dicon, do filme O Jardim Secreto.

Sigam @joaocappelli no Instagram. 

Ah! No dia 10 de Abril deste ano (2016), o João vai estar em um evento para fãs da Saga Harry Potter. Isto acontecerá em Belo Horizonte, Minas Gerais. Para mais informações, clique aqui.

Para finalizar, confiram o vídeo que ele deixou para a gente.



O Chama Elas agradece imensamente a João Cappelli pela disponibilidade e atenção dadas. Muito obrigada, mesmo! Logo que perguntado, topou a entrevista. É isso aí!

Continuem vasculhando o blog. Logo temos mais coisa boa.